The drama... Não é sofrível!!!

O filme é uma autópsia social: a hipocrisia, o cinismo e o desconforto funcionam como instrumentos para expor aquilo que está por baixo das aparências. Um casal aparentemente equilibrado e bem resolvido que, após a revelação do pior que podem ter feito, desencadeia um conjunto de eventos que expõe um vazio feito de falhas de comunicação, inseguranças e uma necessidade quase obsessiva de preservar uma imagem ideal. Ironia ou não, achei bem pior os pontapés no cão do que o planeamento de algo que nunca foi concretizado...

O humor negro não é o ponto essencial, e o desconforto causado pelas situações descritas coloca-nos num dilema moral, ao relativizarmos algo que, no filme, despoleta uma sequência de eventos cómicos e dramáticos em igual medida.

O Pattinson (e Zendaya) estão brilhantes. Foi o primeiro filme que vi com ele e, longe da má imagem que tinha cristalizada — nunca vi um filme completo da saga Twilight (nunca achei graça a vampiros e sempre me pareceram filmes sofríveis) —, ele prova que é realmente um bom ator, algo que o Cláudio (o meu marido) me tem vindo a dizer há alguns anos.

Mesmo com o plot twist sabido, porque o procurei antes da estreia no Reddit, o impacto não se perde. Pelo contrário, o filme sustenta-se mais na construção da tensão e na observação das dinâmicas entre as personagens do que na surpresa em si. Saber o que provoca o desconforto até o intensifica, porque observei os sinais com outra atenção.

Resumo, bem resumido: é muito bom!

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